As leituras de 2016 e os preparativos pra 2017

Óculos sobre livros antigos empilhados e a legenda "as leituras de 2016)

Em 2016, fiz uma lista absurda de leitura. Misturei desafios literários e terminei com um desafio de mais de 70 livros – totalmente influenciado e empolgado com os resultados do ano anterior.

Na preparação do lista, eu não considerei alguns detalhes: lançamentos de pessoas queridas, indicações imperdíveis de quem tem bom gosto (sempre confiro resenhas e avaliações no Momentum Saga e n’O Drone Saltitante) e livros inesperados que me convidam pra uma conversa antes de dormir. Acabei me perdendo aqui, me enrolando ali, e o saldo do ano foi de 80 livros lidos (17.416 páginas).

Pequeno avatar meu segurando uma caneca do Trainspotting, com a legenda "Julian já leu 80 de 108 livros" e uma barra de progresso indicando 74%.

Embora a meta de livros não tenha sido alcançada, em 2016 eu li muito, mas muito mais do que em anos anteriores. Passei a acompanhar novas newsletters, li mais blogs e descobri muita coisa boa no Wattpad. Outras leituras não contabilizadas no Skoob incluem pesquisas, beta reading, apostilas… De qualquer forma, termino o ano satisfeito com a minha bagunça literária e com o lembrete de que metas de leitura, páginas lidas etc. são desafios pessoais. Isso não me torna uma pessoa melhor ou algo do tipo.

Leia mulheres

Algumas (eu disse ALGUMAS) autoras que li em 2016:

  • Anna Schermak – Sentimentos à Flor da Pele
  • Bárbara Morais – A Ameaça Invisível
  • Becky Chambers – The Long Way to a Small Angry Planet
  • Caitlín R. Kiernan – A Menina Submersa
  • Camila Fernandes – Reino das Névoas
  • Cecília Garcia Marcon – Sentimentos à Flor da Pele
  • Dani Costa Russo – Beijos no Chão
  • Domenica Mendes – Sentimentos à Flor da Pele
  • Finisia Fidelli – Páginas do Futuro: Contos Brasileiros de Ficção Científica
  • Germana Viana – Lizzie Bordello e as Piratas do Espaço (#1 e #2)
  • Isabel Allende – Paula
  • J. K. Rowling – Harry Potter (os 7 livros \o/)
  • Jaqueline Gomes de Jesus – Transfeminismo: Teorias & Práticas
  • Laís Manfrini – Não-Heroína
  • Lygia Fagundes Telles – Os Melhores Contos de Ficção Científica: Fronteiras
  • Margaret Atwood – O Conto da Aia
  • Mary C. Müller – Mixtapes
  • Melissa de Sá – Metrópole: Despertar
  • Octavia E. Butler – Bloodchild
  • Rachel de Queiroz – Páginas do Futuro: Contos Brasileiros de Ficção Científica
  • Soraya Coelho – Canções: A Diáspora das Fadas e Alice no Fim do Mundo
  • Sylvia Plath – A Redoma de Vidro
  • viviane v. – Transfeminismo: Teorias & Práticas

E teve também duas pessoas genderqueer/não-binária: Paul B. Preciado (Manifesto Contrassexual) e Leslie Feinberg (Stone Butch Blues).

Autoras(es) nacionais

Além das mulheres já citadas, li também: André Monsev, Antonio Candido, Eric Novello, Fábio Kabral, Felipe Castilho, Ivan Mizanzuk, Jim Anotsu, Lima Barreto, Lucas Kircher, Marcos Bagno, entre outros.

Procurei ler mais autoras(es) do Brasil e da América Latina, de ficção e não-ficção, pois não vi essa preocupação durante a graduação. Tem muita gente boa escrevendo boas histórias na e da região.

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Rapaz de mochila caminha entre corredores de uma biblioteca

Ano novo, livros velhos

Não vou comprar mais livros até ler todos os que tenho. Ok, eu já disse isso antes e não cumpri. E eu não sou um completo descontrolado consumista: compro livros de escritoras que conheço, ajudo projetos literários no Catarse. O que tenho feito agora é me organizar, ou trocar uma lista imensa e aleatória por prioridades.

Livros físicos: Organizei de um jeito bem simples, com etiquetas de duas cores. Uma significa os livros que vou ler primeiro, seja porque curioso ou por estar há muito tempo na estante.

A outra cor marca os livros que eu não tenho pressa/vontade de ler ou que vou reler por não me lembrar mais da história. Essa etiqueta também serve pra eu ter noção do que estou guardando por guardar – talvez seja a hora de colocar os livros para troca ou doação.

Livros digitais: O Kindle é um universo de leitura que nunca serei capaz de zerar. Pra me ajeitar, criei 3 coleções: 1, 1.2 e 2.

Na primeira pasta, tenho apenas 6 livros. Foi um bom tempo de filtro pra chegar a esse número. São os livros que me comprometi a ler primeiro, aconteça o que acontecer. Os livros da repescagem estão na pasta 1.2, e é daí que vou selecionar o que sobe de divisão (quando já tiver lido tudo da pasta 1).

Logicamente, a pasta 2 é a dos livros em espera infinita. São tantos que talvez eu nem tenha tempo de vida pra ler tudo. A separação foi o modo que encontrei para não me gastar tempo só olhando para os livros e pensando “ah, não tenho nada para ler…”.

É isso! Um 2017 de boas leituras pra todo mundo!

Beijos no Chão

Capa de Beijos no Chão, de Dani Costa Russo

Na história da Cinderela, quando o Príncipe descobre que ela é a dona do sapatinho de cristal, caminhamos para o final feliz. Há um casamento e o tão conhecido “viveram felizes para sempre”, um resumão da suposta harmonia conjugal.Em Beijos no Chão, romance de estreia de Dani Costa Russo, a protagonista não tem nome, mas sua história poderia ser a continuação de Cinderela. Uma jovem estudante de jornalismo é surpreendida pela paixão de um homem rico e solitário. O relacionamento segue sem grandes pretensões por parte dela, até que uma gravidez inesperada leva ao casamento. Mas o conto de fadas não se confirma.

Desde o início do livro, a violência doméstica está explícita. Ou melhor, as violências: agressões físicas, verbais, psicológicas, morais. A protagonista cria rituais para se defender, nem sempre com sucesso. A brutalidade cíclica, marca de relacionamentos abusivos, aprisiona a vítima ao seu carrasco.

A narrativa não segue uma cronologia linear, o que deixa tudo mais perturbador. Alguns episódios de violência chegam a acontecer em público, sem que as testemunhas impeçam. O ditado “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, além dos privilégios na amizade com o agressor, cria cúmplices apáticos. Importante ressaltar que o feminicídio e a violência doméstica são, muitas vezes, diminuídos e disfarçados, como documenta Amelinha Teles em seu livro Breve História do feminismo no Brasil:

“No Brasil, fazia-se crer que somente os homens negros e pobres espancavam as mulheres, devido ao alcoolismo ou à extrema pobreza.”

Eu me incomodei um pouco com a estrutura dos diálogos e pensamentos das personagens. Por mais que o livro retrate uma classe média alta, alguns trechos ficaram pouco naturais ou muito quebrados por verbos declarativos. ou eu sou chato pra caramba pra reparar nesse tipo de coisa

Retângulo roxo com espirais em preto e a pergunta "Por que ler?"

As palavras têm poder, e Beijos no Chão é uma ótima amostra disso. Desde que conheci a Dani, no Clube de Escrita mediado pela Jarid Arraes (outra autora incrível), me encantei pela sua escrita – e pela pessoa alegre e articulada também. Seus textos para a oficina sempre me passaram o sentimento de ler um clássico, e seu livro me causa a mesma sensação. É uma voz literária marcante e agradável.

Embora o tema não seja fácil, a violência na história não é banalizada; tudo é trabalhado com cuidado e respeito. De qualquer forma, é válido avisar que a leitura pode despertar gatilhos (eu mesmo tive mal estar).

Beijos no Chão é uma publicação independente, resultado do esforço coletivo de uma galera muito firmeza que acreditou na Dani e na importância da obra. Leia mulheres para que mais mulheres escrevam e protagonizem histórias.

Mulher ajoelhada arrumando as franjas de um tapete

Site da autora
Página do Facebook
Ligue 180 – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

Livros bacanudos -ou não- que li em 2015

Vamos lá (de novo). Tentei formas e mais formas de fazer uma lista-não-lista do que li em 2015, só que nada parecia funcionar. Eu só não quero deixar batido, porque li tanto, conheci e redescobri tanta coisa boa (ou não), que não poderia deixar pra lá.
Capturar

O Skoob manda atualizações automáticas pro FB quando termino de ler um livro. “Marquei como Lido” foi o termo que mais usei naquela rede social (que tenho evitado), e “Lendo” não ficou longe. “Mulheres” também foi frequente: marquei as tags #lendomulheres e #leiamaismulheres2015 em muitas postagens.

Por causa de um grande tempo do ano sem trabalho formal, tive mais tempo para ler (e escrever e viver). Foram 78 livros no ano, segundo a meta de leitura, fora os ~alguns~ que eu quase terminei e que estão me encarando na estante.

Capturar2

Chega de enrolação, né? Bem, vou tentar separar por categorias, porque eu leio de tudo um pouco e fica difícil colocar por gênero literário ou por ordem de preferência. Aliás, ordem de preferência pra livros é uma coisa muito dolorosa pra quem lê muito – eu passo longe.

Pra eu não me perder muito, cada categoria vai ter 7 itens. Nada cansativo, nada injusto.

As 7 decepções:
Branca dos Mortos e os Sete Zumbis, de Fábio Yabu
Eu, Robô, de Isaac Asimov
Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe
Cyberstorm, de Matthew Mather
A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra, de Robin Sloan
Desumano, de Olivia Maia
Condenada, de Chuck Palahniuk

Os 7 ninjas malditos cortadores de cebolas:
Trilogia Jogos Vorazes, de Suzanne Collins
Frida, de Hayden Herrera
Lua de Larvas, de Sally Garden
Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus
A Arte de Pedir, de Amanda Palmer
A Cor Púpura, de Alice Walker
Eu sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb (menção honrosa, porque li em 2014)

As 7 vezes em que chorei de rir (ou os 7 livros que me animaram):
Fritei Minha Dignidade no Bacon, de Alliah
Garota Siririca, de Lovelove6
Quem Atirou na Minha Cabeça?, de Alliah
O Salmão da Dúvida, de Douglas Adams
Lugar Nenhum, de Neil Gaiman
Guts, de Chuck Palahniuk (sim, eu tenho sérios problemas)
Old Man’s War, de John Scalzi (sei que parece estranho esse livro estar aqui, mas Scalzi tem umas tiradas excelentes)

As 7 explosões de cabeça:
GURPS Cyberpunk, de Loyd Blankenship
A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin
Os Homens que não Amavam as Mulheres, de Stieg Larsson
Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie
Meio Sol Amarelo, de Chimamanda Ngozi Adichie
Mona Lisa Overdrive, de William Gibson
Pequeno Irmão, de Cory Doctorow

Os 7 livros nacionais que todo mundo precisa ler:
Universo Desconstruído, Vários Autores
As Lendas de Dandara, de Jarid Arraes
A Ilha dos Dissidentes, de Bárbara Morais
Ouro, Fogo & Megabytes, de Felipe Castilho
Diga Meu Nome e Eu Viverei, de Lady Sybylla
Anacrônicas, de Ana Cristina Rodrigues
Metanfetaedro, de Alliah

Posso concluir que, além de ler pra caramba, eu sou bem eclético e gosto muito de Alliah/Vic e da Chimamanda. Pro próximo ano, quero continuar nessa pegada de mesclar clássicos/best sellers com livros menos divulgados por aqui ou de autores nacionais de personagens diversos. Pro início do ano, aliás, tenho várias obras que comprei durante o Encontro Irradiativo, além de querer continuar as séries da Bárbara Morais e do Felipe Castilho.

Só lembrando que essa é uma lista INCOMPLETA do que li em 2015. Tive que deixar muita coisa de fora, inclusive livros de que gostei muito.

É isso 😀