Para sempre

Sempre ouço sua voz nas noites difíceis. Com atenção, posso até sentir seus dedos nos meus cabelos, cachos formados e desfeitos por suas mãos. Exatamente como você fazia quando queria me acalmar e me fazer acreditar que toda tempestade era passageira.

…Aquela não foi…

Uma noite como todas as outras. Cada passo seu soava como tempos de paz. Eu me deixei levar por sua certeza, todos nós o fizemos. Até que os sons lá de fora ficaram tão altos que seu sorriso não foi capaz de abafá-los.

Eu pisquei e se fez o silêncio. Como desejei aquele silêncio. Mas eu nunca mais ouvi seu riso, nem quando você me visita e me acalenta. Após uma fração de segundo, ou qualquer outro tempo curto demais para que eu pudesse te alcançar, nossos mundos se desalinharam para sempre. Porque é para sempre, enquanto eu viver, que me lembrarei do seu corpo caído, banhado em sangue.

Seu semblante manteve a candura e a força que te definiam, e é assim que você me visita. É assim que me lembro de você quando ouço a sua voz.

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