aleatoriedades III

A cabeça voa, mas os pés estão no chão. Tudo roda, machuca. De dentro para fora e vice-versa.

A cabeça não produz como eu gostaria, e eu a iludo. São líquidos psicodélicos, o cálice da coragem. Nada é suficiente, contudo.

Eu me sinto ferido e sinto que [te] feri também.

Finjo enganar. Digo coisas ruins, que você escuta pacientemente. Você não se machuca com as minhas palavras, mas com a insistência delas.

Machuca ainda mais não saber curar as feridas que abri.

A ilha está sob meus pés. O chão é firme, é necessário.

E não tenho medo de descobrir o que a floresta me trará. Eu sei que não terei.

[abril, 2010]

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