Sobre o espaço que você deixou na minha estante

Fazia um tempo que os olhares eram tortos. De certo modo, pensávamos que seria mais fácil ignorar o que estava tão nítido.

Dentre todas as opções, você era a última.

Ficávamos naquele limbo, as palavras engasgando. Você não se movia, eu tirava a minha mão.

Logo, as cores se misturaram e mudaram, até você virar aquele pontinho espremido que pede por ar.

Saí, andei. Lembrei de você. Resolvi que era a hora de conversarmos. Quase não suportei sua recepção, o bolor dos sentimentos guardados. A nossa história envelheceu, são páginas amarelas.

Peguei a caixa e levei para fora. Você estava dentro dela, você e mais alguns outros. Doei, e não doeu tanto quanto eu pensava.

Alguém te lê agora.

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