Um amor chamado Lisbeth Salander

Eu já tinha ouvido falar em “Os homens que não amavam as mulheres”, mas não me movi pra assistir ou ler. Pensava que seria um filme cabeça demais pra mim – julgamento baseado em absolutamente nada, ou seja, era uma desculpinha. Até que, meses atrás, eu ouvi um podcast sobre o livro/autor e fui convencido a conhecer a obra.

Comecei com o filme do David Fincher, sem pretensões, e concluí que não deveria ter demorado tanto. Ganhei um novo amor pra minha vida e seu nome é Lisbeth Salander.

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Rooney Mara

Acabei de terminar o 3º livro e estou na pior ressaca literária da minha vida, justamente porque a série Millenium foi uma das melhores experiências.

Daqui pra frente, tem spoiler e muito amor.

Eu não vou resenhar os livros ou explicá-los. Uma pesquisada rápida no google não mata ninguém e pode trazer análises menos passionais do que a minha. Minha única dica é: leia. Se você não curte ler, veja os filmes. Dica de migue 🙂

Lisbeth poderia ser a sua amiga ~~estranha~~ que faz brotar perguntas durante o jantar. Isso se ela quiser ser sua amiga. Isso se você entender que ela é sua amiga, mas vai sumir por uns tempos. Ela não deixou de gostar de você porque passou dois anos sem dar notícias. As convenções sociais não se aplicam aqui.

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Noomi Rapace

As pessoas falharam com Lisbeth. Seu pai agredia sua mãe e sempre era acobertado pela polícia secreta. Apesar das tentativas de denunciar o abuso, Lisbeth nunca recebeu atenção das autoridades e precisou agir por conta própria para se livrar do agressor. Acabou silenciada: um falso diagnóstico de esquizofrenia, internação compulsória, abusos sexuais, tutela e restrições.

Para sobreviver e resistir, Lisbeth teve que deixar de existir. Ela é pequena, magricela e aparenta uma fragilidade contrastante com os vários piercings e tatuagens que carrega como parte de sua história. Seu visual e sua personalidade afasta as pessoas num primeiro momento; quem se permite conhecer e entender Lisbeth descobre uma mulher incrível e muito forte.

É como Wasp que Lisbeth realmente vive. Seu nick, sua futura empresa. Wasp é respeitada entre hackers e é o maior segredo de Lisbeth. É sua existência paralela, sua voz, sua arma e sua própria justiça. E quem poderia acusá-la de fazer algo ilegal, quando toda a sua história era baseada em mentiras e descaso? E, principalmente, quando seus serviços eram utilizados por uma grande empresa de segurança e sempre elogiados?

Lisbeth é feminista. Isso é um fato. Nos livros, fica explícito que ela está disposta a ajudar outras mulheres, mesmo que seja totalmente indiferente a elas. Ela não é uma heroína que tenta salvar o mundo em termos gerais. Seu objetivo é destruir quem os meios tradicionais evitam enfrentar.

“Ela odeia os homens que odeiam as mulheres”

Por mais simples que pareça essa ideia, é aí que reside a força de Lisbeth. Ela tem uma noção de moral única e não se desvia dela. O mundo é cheio de regras e teorias e padrões; Lisbeth é fechada em si mesma, não fala com autoridades, não faz questão de ser legal (em todos os sentidos) e é mais verdadeira do que quem posa de gente boa.

Por que ler?

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Eu só li a trilogia e estou terrivelmente viciado. Tentei começar outros livros (inclusive uma elogiada continuação), mas não dá. O estilo de escrita e as personagens de Larsson me pegaram mesmo!

A prosa de Larsson é quase um dossiê. Ele descreve as roupas que as personagens usam, cada rua por onde passam e registra a data de cada etapa da história. Por incrível que pareça, os livros não são cansativos e a trama flui muito bem  – a parte difícil parar de ler. Cada personagem, inclusive as secundárias, é bem descrita e tem uma história (é assim na vida ~real~, não?). Tudo muito detalhado para explicar que ninguém se envolveu por acaso.

Tem ação pra quem gosta de ação, tem investigação pra quem gosta de investigação. Tem de tudo, até coração partido. E tem Lisbeth, uma das mais críveis personagens femininas que já conheci. Ela consegue ser forte, durona mesmo, sem cair em estereótipos. E mesmo que seus métodos sejam questionáveis para alguns, ela não é uma anti-heroína. Ela é única na ficção.

(((Cadê uma série sobre a vida dela, Netflix?)))

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Antes e Depois de Lisbeth Salander
Por que amamos tanto Lisbeth Salander

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