Viajantes no Tempo

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Li sobre o passado. Conheci o mundo antes de nascer.

Também li sobre o futuro. Como serão as naves, os governos, as consciências coletivas e as transferências para outros corpos.

Sei de tudo isso porque viajantes do tempo existem.

São essas pessoas esquisitas, que se cercam de papéis, canetas e ideias. Podem ser caladas, reservadas; é mais fácil lidar com os personagens em folhas amareladas pelo tempo do que com seres humanos de carne e osso. Outras são mais soltas, mais comunicativas – cuidado, você pode terminar num livro delas.

Gosto de saber o que acontecia por aqui, nesse pequeno mundo azul, antes da minha era. A linguagem e as opiniões mudaram muito (ainda bem). Teve até quem escreveu, ainda em épocas distantes, sobre o presente. Uma pena estarem tão enganadas, essas pessoas. Nós fracassamos como espécie e despejamos nosso ressentimento sobre todo o planeta.

Houve – ainda há – quem escreva a respeito do amanhã. Vamos desde otimistas viagens interplanetárias para que a humanidade colonize e leve sabedoria (sic) ao resto do universo, a um triste destino em que ficamos por aqui e lutamos pelo que sobrou de água e alimentos. Ou ainda, aliens generosos se compadecem de nosso sofrimento e acabam com tudo. Do jeito que as coisas estão, explodir a Terra para construir um desvio não parece algo ruim.

relogio

Bem, mas a questão é que as palavras ficam. Lemos o que foi o escrito, o que foi imaginado, e podemos conhecer muito sobre quem escreveu. Seus sonhos, seus amores, esperanças, ideias mirabolantes. Mesmo num universo absurdo, fantástico, podemos conhecer as jornadas e as expectativas de quem inventava histórias para curar a realidade. E o passado ainda está aqui. Ainda estará amanhã.

Hoje, posso falar com essas pessoas. Posso elogiar e agradecer pelo seu trabalho, posso dizer o quanto suas palavras são importantes e inspiradoras. Posso deixar uma resenha para incentivar outros possíveis leitores e registrar meu respeito.

Mais simples ainda, posso mandar um e-mail, um tuíte, um olá virtual. Com sorte, abraçá-las e transmitir meu carinho diretamente. Qualquer que seja a forma escolhida, faço o que não posso com os viajantes que vieram se comunicar e já se foram. Quem sabe, os que estão aqui, agora, levem boas lembranças do nosso tempo.

Além de nos alegrar, as histórias ficarão gravadas para que viajantes futuros tenham um guia, saibam que suas ideias são válidas e que sua missão deve ser cumprida.

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