A Menina Submersa: Memórias

Capa do livro A Menina SubmersaCIMG2850

Tá na capa: “Poucos escrevem como Caitlín”, Neil Gaiman. E – pancada – ele está muito certo. Caitlín R. Kiernan fez uma tremenda colcha de retalhos e, como tal, o resultado só pode ser visto no final.

Muita gente firmeza indicou A Menina Submersa e eu comecei a ler com muitas expectativas. Só que, ao contrário da maioria dos livros, eu travei com a história, me perdi em vários momentos. Há um livro dentro do livro, saído de um fluxo de consciência de Imp, uma mulher maravilhosa. Acompanhamos sua voz e suas várias histórias, sem linearidade, com repetições e, acima de tudo, com muita verdade.

Imp ama Abalyn e Eva. Só que a última coisa que se pode dizer sobre o livro é que se trata de um triângulo amoroso. Porém, é um livro de amor, de vida. Todas as personagens (mulheres!) são descritas a partir do que encanta ou desagrada Imp. E, uma vez que nem ela acredita em suas memórias, a única verdade são suas memórias conflitantes, sua teimosia e suas obsessões.

Pouco a pouco, a colcha vai se formando e é possível perceber o todo. Imp é uma personagem muito bem escrita, com toda sua complexidade e simplicidade. Ela não é a princesa pura, a heroína perfeita que se consagra. Também está longe de uma caracterização sofrida e embaraçante. Ela é mais verdadeira do que muita gente que conheço fora da ficção.

Por que ler

Porque temos várias mulheres incríveis, personagens bissexuais, uma delas é trans, uma protagonista neuroatípica e sem que o livro seja panfletário.

Acho que é impossível ser a mesma pessoa após a leitura de A Menina Submersa. Pessoalmente, me fez pensar em tanta coisa, remexeu meus medos, minhas (in)certezas e me deixou boquiaberto. Foi o primeiro livro que li em 2016 e só pode ser um ótimo sinal.

Não posso falar muito mais, por razões de spoiler e altas emoções.

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Algumas marcações :p
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