Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues

Capa do livro Exorcismos, Amores e uma Dose de Blues em gif, com algumas letras piscando como se fossem de neon.

Único. Vou falar sobre um livro único.

E mágico. Não só por causa do cenário, das personagens. É um livro que encanta quem lê.

Li EADB com calma, saboreando cada palavra. Eu já tinha ouvido excelentes comentários a respeito do livro, tive o prazer de conhecer o autor (e falhei miseravelmente em tentar dizer qualquer coisa útil) e tudo me dizia que seria uma ótima leitura. É sempre um risco começar algo depois de mergulhar em expectativas. Só posso agradecer a cada ser humano – e gato de fumaça – que me indicou o livro.

Eu posso dizer que Tiago Boanerges é um mago exorcista tentando sobreviver em Libertà (uma São Paulo melhorada) com trabalhos freelancer após sua expulsão do Conselho de Hórus. Aquela coisa, o cara tava apaixonado, fez merda, perdeu o emprego e ficou solteiro. Aí, surge sua chance de consertar as coisas, só que nem coração ele tem mais para aguentar as emoções que podem surgir. Coitado.

Só que EADB não é conta uma história de amor romântico. Também não é uma clássica Jornada do Herói, com cada pedaço bem definido. Não. O mago não busca vingança nem redenção. Não tem clichê aqui, não tem mocinhos brigando com vilões e nem anti-herói sedutor. Como eu disse, é um livro único.

A narrativa do Eric é uma viagem deliciosa. O universo e as personagens são apresentadas sem que o autor precise segurar sua mão e mostrar o caminho – e sem te deixar perdido. Tudo é explicado com um tempo certo, sem prejudicar a narração com pausas e manual de instruções. As descrições são na medida certa, a exposição dos sentimentos é envolvente, as cenas de tensão não estão ali por acaso e qualidade do texto é mantida até o fim. Tudo flui e se encaixa, como música.

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Aliás, música é mais um argumento a favor do livro. As doses de blues são de muita importância pra história e para conhecermos Tiago. Dá até pra acompanhar com playlist feita pelo autor. Coisa fina.

Outro lance interessante é que não existem religiões abraâmicas nesse universo. Ou seja, nada de um padre jogando água benta no corpo possuído, enquanto recebe uma chuva de vômito. Isso é coisa de demônio. 😛

E uma musa pode ser bem mais perigosa.

Por que ler

Caraca, quem gosta de fantasia, mas tem receio de ler produção nacional, pode encarar EADB sem medo. Sério.

O Tiago Boanerges é bissexual (rá!), todo torto, na luta… Eu me identifiquei bastante com o rapaz. Muitas vezes, me pego pensando nas decisões erradas que tomei e carinhos felinos me despertam pra vida. E nem mago eu sou.

Sem qualquer dúvida, entro no time que recomenda esse livro. É uma obra linda, madura. Dá pra notar que Eric escreve com carinho e respeito, tanto por quem lê quanto pelo seu próprio trabalho. E isso é foda! Meu Hall de Escritores Favoritos ganhou um novo membro. \o/

Se seu livro soltar fumaça, não estranhe. É questão de Reflexo.

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