Amor livre é livre

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Meus pulsos 🙂

Até dois ou três anos atrás, eu era um tipo de militante pela não-monogamia. Escrevi zine, blog, participei de grupos, encontrei pessoas com quem compartilhar histórias e conversei com muita gente por email. Só que quanto mais eu descobria experiências e temores, mais eu sentia que não era “suficiente”. Eu não queria teorizar a respeito de relacionamentos, levando minha vida numa cápsula de sabedoria e extremismo, quando a realidade se mantinha distante. Faltavam muitos recortes naqueles discursos que eu ouvia e fazia; eu não entendia bem o que era, mas algo me incomodava.

Enquanto eu via e me cercava de uma ideia, as outras faces do dado ficavam descobertas. Por exemplo, eu vivi (vivo) relacionamentos complicados no âmbito familiar. Hoje, eu não recebo tanta cobrança, ou talvez eu apenas ignore. Por um bom tempo, eu tentei entender que espécie de amor era aquela que estavam me empurrando. Uma pessoa dizer que me ama e me quer por perto, a ponto de não me ouvir, não me respeitar e exigir reciprocidade, não me parece uma definição de amor. Isso para citar apenas um dos casos.

Durante papos, percebi que muita gente tentava conter o naufrágio desse mesmo barco, porque a família não era o bote salva-vidas que se pretende. Relacionamentos abusivos acontecem em diferentes casos e com diferentes participantes. Eu não me sentia à vontade em ajudar a criar um mundo em que as pessoas amassem “livremente”, enquanto as intimidades estavam cagadas.

Tem o fator ciúme também. Eu comecei a reproduzir o discurso de que ciúmes é nocivo em qualquer grau de manifestação. Ok, e aí? Uma pessoa que sentes ciúmes não é “evoluída” o suficiente? A resposta que eu encontrava era “tente, um dia você lá!” Onde fica ? Por que é preciso chegar ? A posse é nociva, assim como sofrer por acatar situações desagradáveis e temer demonstrar “fraqueza” também é. Se a relação não está legal para seus componentes, não é um lado ou outro da moeda que vai valer mais.

Hoje, eu me esforço muito para não hierarquizar relações. Um relacionamento físico não é mais importante do que um relacionamento afetivo e vice-versa. Eu moro com um rapaz com quem “namoro” há quase 9 anos, e esse cenário pode mudar amanhã, sem que isso signifique o fim da relação. Minha família o vê como meu marido, mas o que dizer de gente que acha que soja faz alguém “virar” gay? Eu decidi não gastar energia com gente assim, na moral. Não hoje, não agora.

Apesar da minha fobia social e da minha inaptidão com pessoas, eu gosto de várias (sem que isso signifique interação sexual ou “romance”). Com cada pessoa, tenho uma afinidade diferente, e é por aí que as coisas acontecem: tem quem goste de sci-fi, de filme de terror, de gatos, de comida vegana, de livros, de cerveja, de música barulhenta, de música folk, de arte… Eu não preciso dividir tantos interesses com um só ser, quando o mundo é tão grande.

E, não, as palavras acima não são definitivas.

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