A arte de remover o lixo

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E aqui estou eu, de novo, carregando um monte de sacos de lixo pra fora. Quase não consigo me mexer direito: são vários, daqueles grandes, pretos e azuis. Enquanto eu os arrasto para fora, suando e fazendo uns barulhos engraçados por causa do esforço, reparo para ver se nenhum vai arrebentar com o peso.

Fico em choque com a quantidade de lixo que consigo acumular, mesmo com toda economia e reutilização que procuro fazer em casa. A maior parte do que jogo, é lixo reciclável; o que não uso mais e ainda pode ser aproveitado, vai para doação ou escambo. Mesmo assim, de tempos em tempos, mais do que eu gostaria, essas montanhas aparecem e me sufocam.

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Às vezes, eu tento ignorar. O cheio de estragado fica tão forte que meus olhos lacrimejam. Eu seguro a respiração até o limite e fico com medo de chegar perto. Sério, parece que aquele monte repentino de coisas indesejáveis vai me devorar.

Em outros momentos, eu jogo na lixeira o primeiro tantinho de sujeira que vejo. Penso “rá! trabalho resolvido!”, mas tudo continua ali, como se eu não tivesse feito NADA. Foi um longo tempo de cara feia até perceber que eu não limparia coisa alguma se continuasse jogando tudo pra fora de qualquer jeito.

Ou seja, é uma situação desesperadora. Sempre parece que nada do que eu fizer vai dar certo. Eu procuro vários tutoriais de “como reutilizar…” pra evitar fazer lixo e nem isso resolve, eu nunca encontro o que preciso mesmo.

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Wait, wait, WAIT! I’ll be fine in a minute!

Bom, tive começar a ter mais cuidado. Mesmo após um dia muito bom, eu posso tropeçar numa lata cheia de chantagem emocional, dar de cara num poste de energia negativa (meu companheiro vai me arranjar um adaptador USB, e vamos tentar trocar por energia positiva) ou escorregar num piso lambuzado de abuso e domínio. Não podemos vencer sempre, né?

Quando toda a prevenção não adianta, eu conto até 10, pego os sacos amontoados e vou pra fora, um passo de cada vez. É difícil carregar o peso sem forma, deixar o nó bem firme e dar erguidinhas para que o conteúdo não se esparrame.

Cansa? Cansa. É divertido? Não. Mas é um exercício que preciso fazer, uma arte estranha e diferente que quase ninguém vai entender (ou respeitar). Uma arte que as pessoas evitam quando jogam mais lixo aqui pra dentro – porque sabem que eu não tenho braço pra mandar de volta.

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