-Por que você está fazendo isso?
-Não acredito que você ainda me pergunta.
-Já faz tanto tempo. Pelo seu bem, é melhor deixar pra lá!
-Não, nada disso!
-Mas…
-Mas nada! Nem vem! Já deixei coisa “pra lá” demais nessa vida.
-Olha, você vai se machucar ou machucar outra pessoa.
-Quê? Por quê? E as minhas feridas, quem vê?
-Ai, isso não é sobre você. Pensa fora da caixa um pouco.
-Não posso. Eu tô assim por sempre pensar nos outros e nunca em mim.
-E de que adianta pensar e não fazer? É muita ingratidão, mesmo.
-Meu, cai fora! Não quer ajudar, então não me atrapalha.
-Aff, eu quero ajudar! Por isso te digo: pare agora com essa ideia idiota. É tão simples.
-Simples para você. Você nunca passou por isso. Se coloca no meu lugar, pelo menos uma vez. Uma só.
-Ah, nossa! Que drama! Pobre de você! Te usaram? Te empurraram pro fundo do poço? Não vejo nenhum arranhão.
-Nem toda ferida é visível, viu?
-Ah, é? Pra mim, isso tem outro nome: frescura. Larga isso, vambora.
-Não. Nunca mais largo essa caneta. É minha arma e meu escudo.

.*.*.*.*.*.

[Exercício do Clube de Escrita da Casa de Lua. Diálogo.]

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