Ponteiro

Sua música repetitiva me irrita. Tum tum tum, tudo igual, o ritmo da minha vida marcado por você. Seu ponteiro anda e dou meio passo.

Você diz que ainda não posso, falta pouco.

Depois, já não dá mais.

Eu não vi a troca de pilhas ou as atualizações automáticas. Agora, pergunto onde estão os anos que não vi passar, enquanto você seguia a ditar os dias.

Quero dormir, está escuro lá fora. Você não deixa.

Quero voltar, você ainda não sabe como fazer isso. Vejo bagagens maiores do que as minhas e isso me machuca.

 

Reiniciei. O tempo nulo pertence a alguém que morreu.

 

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[Escrito para o Clube de Escrita da Casa de Lua. Tema: (a relação com) objeto.

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