O fundo era cinza e frio. Eu não toquei, mas sabia que era gelado. Começa o Tetris:

Cama branca no canto esquerdo, colchão arranhado pelo gato a seguir. O fogão descascado segura tudo. Um pouco à frente: dois caixotes de feira com livros, mais caixas de cor parda cheias de sabe-se lá o quê – livros, provavelmente. Grandes sacos de lixo, pretos e azuis, com as roupas, vão mais perto da porta. A parede do lado direito é preenchida por um armário de cozinha de cão. Branco, não muito alto, mas bastante pesado. Tem um resto de ar ainda, onde cabe a porta do guarda-roupa marrom com pixações em verde-limão e vermelho.

O fundo não era cinza, era uma tela colorida e bagunçada com a minha vida dentro. Cinza era o gato dentro da caixinha azul que ia, sobre o meu colo, para a nova casa.

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[Texto do dia 23/10/15, para o Clube da Escrita na Casa de Lua.]

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