Descobri dois gostos na vida: escrever e cozinhar. Isso vem, basicamente, do meu prazer em ler e comer. O segundo grupo é fácil, porque eu recebo, eu ganho e tenho todo o direito de abandonar o livro ou o prato. Já quando produzo, a necessidade de (auto)aprovação me bloqueia.

(estou dançando com a caneta e nem esse exercício sai como eu gostaria)

Sinto mais dificuldade quando as ideias são guardadas no congelador. Parece que elas não têm a mesma liga ou viscosidade do momento que as pensei. A vontade de colocar pra fora vira uma briga violenta, capaz de arrancar sangue – sem que uma palavra, por menor que seja, brote.

Se, por acaso, a primeira barreira é ultrapassada, vem o monstrinho da comparação sussurrar que aquele textão (ou aquele hai-kai humilde) está uma droga. O que viraria um bolo elaborado do Cake Boss – e saiu um bolinho de chuva simplinho – começa a ser revisado, até não servir nem para o cachorro comer.

E eu me calo.

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[Texto do dia 09/10/15, durante o primeiro encontro do Clube da Escrita na Casa de Lua.]

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