Sou bi com orgulho

Não espere um texto acadêmico, cheio de referências e explicações psicanalíticas sobre minha bissexualidade. Não espere que eu justifique minha orientação sexual. Se é isso que você busca, está no lugar errado. Esse texto não é sobre ou para você; é minha (nossa) celebração.

Eu sempre senti atração por pessoas diversas, o que significa, especialmente, pessoas de gêneros diversos. Quando criança, quando verbalizei isso, me chamaram de lésbica – de modo bastante agressivo, devo acrescentar. Eu demorei para descobrir a palavrinha que levaria comigo pelo resto da vida, porque não conhecia outras pessoas que se sentissem da mesma forma que eu. Acredito que tenha sido em alguma revista adolescente.

A questão é que, desde cedo, senti e manifestei atração física/romântica por mais de um gênero. tentei reprimir o que sentia e nunca escancarei o armário. Grande parte da minha “descoberta” ou “aceitação” veio com o que esperam de mim: eu era uma criança gorda, bombardeada com noções do que era um corpo ~bonito~ e/ou ~saudável~. As mulheres que estavam nas revistas e na TV exibiam o corpo aceitável, aquele que deveria ser o objeto de idealização. Contudo, eu não queria ser igual a elas; eu percebi que desejava muitas delas.

As colegas de escola, quando percebiam a demora do meu olhar sobre uma foto, riam; outras pessoas, diziam que era nojento. Ouvi todo aquele papo de fase, de que minha “confusão” passaria em breve. Havia quem sentisse nojo.

Ao contrário do que dizem, nunca foi escolha, nem nunca quis aparecer. Estou bem ciente do que sinto, e faço questão de deixar ciente qualquer pessoa que se relacione comigo: sou bi. Tenho muito orgulho de ser bi.

Faz uns dois anos que tive noção de que existe uma militância bi. Demorei para me envolver, porque foi no mesmo período em que me recuperava de uma depressão e assumia minha transgeneridade. Assim como em outros diversos aspectos da vida, celebrar quem somos é um ato de grande resistência.

Pessoas hétero nos julgam.
Pessoas homo nos julgam.

Resistimos e Existimos.

(Sou uma pessoa trans não-binária e sei que muita gente considera excludente o termo “bi”. Encaro minha orientação de outro modo: me atraio por pessoas do meu próprio gênero e por pessoas de outros gêneros. Ainda assim, sou bi. Não pretendo descartar a luta e a militância de pessoas pansexuais que encaram a definição de outra forma. Tamo juntes :D)

Para saber mais:
http://aquinacuca.blogspot.com.br/2015/01/bifobia-ecziste-sim.html?spref=tw
http://www.bisides.com/

Esta postagem faz parte da blogagem coletiva bissexual do bi-sides para comemorar o 23 de setembro, dia internacional da visibilidade bissexual – http://www.bisides.com/2015/09/08/
blogagem-coletiva-bissexual-23-de-setembro-de-2015

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