Saudade

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Nós

Sonhei com você.

Eu deslizava por suas curvas, que tão bem conheço. Olhava cava ponto, cada pedaço familiar. Onde você é mais densa, onde você é mais aberta.

Foram dez anos ou mais? Quanto tempo depois de eu me mudar você ainda permitiu que eu te encontrasse?

Sobre esse sonho: não foi só noite passada. Você aparece em meus pensamentos com mais frequência do que eu gostaria. Apesar da maneira como te evitei tantas vezes, admito que sinto sua falta.

Penso se você ainda mantém as coisas no lugar tão perfeitamente. Eu jamais entendi sua necessidade em ter controle, sua negação em mudar, expandir. Depois de todos esses anos, você ainda mantém tudo igual? Até aqueles detalhes inconvenientes, que você evitava encarar apenas para não resolver?

Foi por isso que não deu certo – ou deu, enquanto durou. Eu queria mais – de você, do mundo. Por mais que você represente segurança (como nenhum outro lugar) e tranquilidade, há uma inquietude dentro de mim que me impede de voltar. Apesar da saudade, eu não me arrependo.

Estamos em maio, a temperatura já caiu bastante. Era doloroso te ver acordar em dias frios, porque você realmente se machucava. Eu te olhava de longe, te dava um tempo para se recuperar, mas sentia sua dificuldade. Quando chovia, era ainda pior: brigávamos tanto. Você sempre foi mais forte e eu nunca escondi o medo que sentia. Era ouvir o som dos primeiros pingos que eu me agarrava em alguma coisa, ou me escondia. Sei, você pensa que é inveja, porque você se reerguia. Depois do frio e da chuva, você brilhava sozinha, se alongava.

Enfim, não tem volta, sabemos disso. Você sabe mais do que eu; tenho certeza de que não sonha comigo. É melhor mesmo que não me veja assim, dobrando, fraquejando.

Só queria dizer que sinto sua falta. Valeu por tudo.

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